Alexa, Siri e Google Assistente: compra por voz será tendência entre consumidores brasileiros, diz especialista

Pesquisa afirma que o comércio por voz revolucionará o mercado e entrevista inédita com consumidor

O mundo atual pede rapidez e facilidade para comprar. A bola da vez agora é comprar por voz! Após a disseminação dos e-commerces e mobile commerce (compra pelo celular), o voice-commerce ou “comércio ou mercado conversacional” vem apresentando números importantes de aceitabilidade no mercado americano e na Europa.

Estamos falando dos novos aparelhos com a Alexa, da Amazon, o Google Assistente, a Bixby, da Samsung, e a Siri, da Apple, por exemplo. E o Brasil não fica pra trás nesse interesse pela novidade, mas mostra suas peculiaridades de uso.

Imagina que você compra uma caixinha de som como o Amazon Echo Dot, e você diz “Alexa, compre para mim uma cerveja Heineken no supermercado?”, então ela poderia realizar a compra. E muito mais:

Já sabemos que esses aparelhos estão sendo vendidos no Brasil, por volta dos R$ 300,00 e consegue realizar diversos comandos úteis quando conectado aos aparelhos da casa da pessoa. 

Os assistentes de voz serão tendência no Brasil?

O especialista em E-commerce e Internet, Thiago Sarraf, acredita que as buscas por voz, com certeza, serão tendência para os próximos anos, principalmente pela facilidade que ela traz para o consumidor. 

Thiago Sarraf, especialista em e-commerce

“Comprar pelo e-commerce ao invés de fazer a compra física poupa tempo e esforço buscando pelos produtos em diversas lojas, afinal, com a distância de um clique é possível encontrar milhares de ofertas e produtos que cabem no orçamento do consumidor. A busca por voz vai permitir que sejam feitas diversas ações ao mesmo tempo, como montar sua lista de compras no mercado enquanto está cozinhando ou mesmo buscar um produto que acabou de ver na televisão”, diz ele.

O especialista acredita que essa tendência pode demorar alguns anos ainda para ser estabelecida solidamente, apesar de os celulares já apresentarem as buscas por voz. 

“O brasileiro é um povo que gosta de ver e tocar nos produtos que estão para adquirir, por isso a grande importância da qualidade das fotos em e-commerces, e realizar as compras totalmente às cegas pode causar resistência ainda”, diz Sarraf.

Os Assistentes de Voz têm suporte bom para o português?

“Surpreendentemente sim, elas tem um bom suporte para a língua portuguesa. Porém funções mais complexas ainda não chegaram ao Brasil. É possível cadastrar funções no site da Amazon americano em português para ter acesso por meio da nossa língua”, diz Ramiro.

Para ele, a inteligência artificial da Google é melhor que a da Alexa, da Amazon. “A da Google é imbatível”.

Isso porque, segundo ele, a Alexa acaba perdendo fácil o contexto da conversa. “Por exemplo, se você fizer uma pergunta – Qual é o edifício mais alto do mundo?, então ela responde corretamente. No entanto, em seguida, se você pergunta -Qual é a altura dele?, então ela se perde e não consegue completar a resposta”, diz ele. 

“Em termos de inteligência artificial a Google é melhor, mas perde em suporte para o português, então nesse quesito a Amazon ganha”, destaca ele.

Ramiro considera que a Amazon dá mais atenção aos consumidores brasileiros do que a Google com relação aos recursos disponíveis em seus assistentes de voz.

O suporte de funções, disponibilidade, uso em geral, a Amazon atende melhor. Só que a inteligência artificial, a capacidade de conversar, a naturalidade, literalmente, a inteligência da Google é melhor. Mesmo assim, ele acha que essa diferença não é tão grande entre elas, tornando as duas boas para compra.

“A compra online é muito mais cômoda que a feita em lojas físicas, mais fácil de comparar produtos e preços e você não é enganado por vendedor, pois é literalmente o que está na descrição. Além disso, caso tenha problemas, as plataformas de vendas costumam ser mais fáceis de resolver do que lojas físicas”, afirma ele.

Lojistas e Empreendedores devem ficar atentos com o comércio por voz

“As compras por voz com certeza são uma tendência que os lojistas precisam ficar atentos e começar a prepararem suas lojas para atender este público, porém não creio que vão substituir as compras diretas com tanta facilidade. Justamente pelo brasileiro ser um povo que gosta de ver seus produtos e também é incentivado pelas compras por impulso, seja uma oferta ou promoção por tempo limitado, enquanto estão navegando sem objetivos concretos, as compras diretas ainda devem permanecer no topo”, diz o especialista em ecommerce.

“Para os lojistas e donos de e-commerce, a busca de voz irá mudar especialmente as descrições de produto para que buscadores encontrem seus anúncios. Os termos que os consumidores buscam por voz e por texto são diferentes e cabe ao lojista adaptar-se a estas mudanças para que seu e-commerce apareça na primeira página de busca”, afirma o especialista.

Consumidor dá opinião sobre os “Smart Speakers” da Google e da Amazon

Entrevistamos Eduardo Ramiro, estudante de medicina na Universidade de Brasília (UnB), 21 anos, entusiasta de tecnologia e usuário assíduo dos novos ‘dots’. Para se ter uma ideia, ele já adquiriu 6 dessas caixinhas para uso pessoal e costuma comprar pela internet cerca de cinco vezes por mês.

“Eu acho fantástico, é interessante e bem divertido”, destaca Ramiro, dizendo que essas tecnologias integram nosso dia a dia de forma descontraída. “Além disso, serve de caixa de som, dicionário, calculadora e muitas demais funções que você usa sem precisar parar de fazer o que está fazendo. Basta chamar e pedir”, completa.

Quem compra por voz?

“O perfil do consumidor da compra por voz é o consumidor que sabe exatamente o que procura. É o consumidor que já decidiu o que quer e necessita daquele produto”, explica o especialista.

Essa tese é confirmada pelo estudante: “Eu nunca comprei. Mas não por medo e sim porque quando você pede pra comprar, ela (a assistente virtual) pega o mais vendido. E dessa forma eu perco a capacidade de fazer uma profunda pesquisa para saber qual daqueles produtos me atende melhor. Mas compraria se tivesse algum jeito de fazer pesquisa de mercado antes”, conta Ramiro.

A compra por voz, no momento, não permite que fiquemos horas navegando em sites e procurando alguma oferta que desperte o interesse, mas sim que ache exatamente o que o consumidor procura e ofereça as melhores opções.

O que as pessoas mais fazem com os comandos de voz?

De acordo com pesquisa realizada pela Capgemini, líder em consultoria de serviços tecnológicos, com 5 mil consumidores dos Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido, 49% dos entrevistados disseram que usariam para checar status de entrega de compras online, 45% fariam listas de compras e 42% usariam para pesquisar por produtos e serviços. Acesse a pesquisa, clique aqui.

Ok Google e Alexa servem para comprar e repetir compras recorrentes?

“Acredito que haja espaço para ambos. Para o consumidor que sabe exatamente o que quer, a aquisição de novos produtos deve ser tão normal quanto a recompra. Para consumidores inseguros, a recompra de algum produto que já conhecem a qualidade é um método mais seguro através da compra por voz”, demonstra especialista.

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